Liderança Executiva
Entre dunas, estrelas e lições
Correndo uma ultramaratona com Leonardo Leite – Sócio e Executivo da SRK Consulting Brasil “Lembro de um momento correndo nos lençóis maranhenses, já tarde da noite, liderando a ultramaratona e sem ver os demais competidores. Desliguei a lanterna e corri apenas sob a luz das estrelas, só o silêncio, o vento e os grãos de

Correndo uma ultramaratona com Leonardo Leite – Sócio e Executivo da SRK Consulting Brasil
“Lembro de um momento correndo nos lençóis maranhenses, já tarde da noite, liderando a ultramaratona e sem ver os demais competidores. Desliguei a lanterna e corri apenas sob a luz das estrelas, só o silêncio, o vento e os grãos de areia em meu rosto. Sozinho naquela imensidão de estrelas e universo, em um momento me senti como um dos grãos daquelas dunas — tão pequeno, insignificante, mas parte de algo maior. Foi uma sensação de paz, mas também de transformação. Aprendi a dar menos importância e a não me estressar com o que é pequeno, buscando mais significado na minha vida diariamente.”
Essa fala é de Leonardo Leite, que durante a Brasil Running Adventure Race, uma ultramaratona de 160 km realizada no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses em que venceu, teve uma epifania que mudou sua forma de ver a vida e o trabalho.
Leonardo Leite, Sócio Diretor e Líder Técnico na SRK Consulting Brasil, professor e coordenador na pós-graduação da PUC Minas , e atualmente estudante de Psicologia, começou sua jornada nas ultramaratonas em 2010. Impulsionado por um desejo insaciável de se superar, ele foi, aos poucos, deixando as maratonas tradicionais para trás e mergulhando nas ultramaratonas, onde percursos de 100, 160 quilômetros, ou até mais, tornaram-se parte de sua rotina.
Diferente das maratonas convencionais, em que a linha de chegada surge em 42,195 km, as ultramaratonas desafiam os limites humanos em terrenos imprevisíveis e sob climas extremos.
Imagine correr por mais de dois dias ininterruptos, enfrentando nevascas, chuvas torrenciais ou o sol escaldante do deserto. Para Leonardo, essas provas de resistência são muito mais do que desafios físicos; são laboratórios vivos de autoconhecimento.
E foi justamente essa busca pelo entendimento do que nos move em situações extremas que o levou a ingressar no curso de Psicologia. Ele está no segundo período, imerso em estudos sobre o funcionamento do cérebro humano diante de desafios tão intensos.
“O que nos faz continuar quando tudo parece conspirar contra? O que nos impede de desistir?” – — essas são as perguntas que o movem tanto na pista de corrida quanto na sala de aula.
Leonardo acredita que as respostas a essas questões são cruciais não apenas para atletas, mas para qualquer pessoa que enfrenta as adversidades do cotidiano, seja no trabalho ou na vida pessoal.
O Desafio físico e mental: A jornada começa muito antes do primeiro quilômetro
O treino semanal de um ultramaratonista é mais extenuante que o de corredores de outras modalidades. Enquanto algumas pessoas treinam o ano todo para uma corrida de 42 km, Leonardo precisa cobrir essa distância nos finais de semana, enquanto concilia os desafios de liderar uma empresa e o tempo com a família.
“O físico é apenas uma parte da equação. O maior desafio está na mente,” ele explica.
Nas ultramaratonas, o desgaste mental é implacável. São dias de corrida em que o cansaço, a solidão e o desespero sussurram ao ouvido para o atleta desistir. Mas é nesse momento que Leonardo se prova. Ele abraça a dor e o desconforto, transformando-os em combustível. Cada passo é um exercício de superação e de disciplina mental. (E, quando falta essa força interior, algumas horas de Rock n’ Roll – do metal ao grunge – nos ouvidos ajudam a dar um gás a mais).
Já deu para entender um pouco como isso reflete em sua vida profissional?
Concluir uma ultramaratona te faz mais estratégico e resiliente tanto na vida pessoal quanto no trabalho
A corrida, para Leonardo, não é um fim em si mesma, mas um meio de aprendizagem constante. Como executivo em uma empresa de consultoria global, ele usa a mesma expertise de planejamento e organização que aplica nos projetos de trabalho para suas corridas. Cada ultramaratona é meticulosamente planejada — desde a análise do terreno, os suprimentos a serem carregados, até os planos de contingência.
“Assim como em um projeto de engenharia, é preciso ter planos de A a Z. Nunca sabemos quando algo pode dar errado”.
Em contrapartida, as experiências nas corridas ensinam valiosas lições para o ambiente corporativo. Leonardo aprendeu a encarar desafios com mais serenidade e a sair da zona de conforto para buscar soluções inovadoras.
Nos treinos longos que ele realiza nos finais de semana, muitas vezes surgem ideias e soluções inesperadas para problemas do trabalho.
“É curioso como a mente funciona. Quando saímos do ambiente habitual, como a frente de um computador, e colocamos o corpo em movimento, muitas vezes conseguimos olhar para as coisas sob uma nova perspectiva.”
Vida, trabalho e corridas
Se você, assim como o Léo, quer ter experiências transformadoras, que mudam a forma como enxerga a vida e o trabalho, lembre-se que ninguém começa correndo uma ultramaratona: ele mesmo levou quase 15 anos para chegar onde está!
É aquela história: Quem nasce grande é elefante!
Comece pequeno, mas comece! Seja nos esportes, na vida ou nos negócios, é importante dar o primeiro passo e continuar avançando. As lições de resiliência, planejamento, foco, são aplicáveis a qualquer área da vida.
Para os executivos e líderes que buscam inspiração para superar desafios e alcançar um desempenho superior, a mensagem do Léo é clara: o que realmente importa não é a distância percorrida, mas a jornada de transformação que ocorre a cada passo.
E você, o que tem feito para buscar sua melhor performance?
Um agradecimento muito especial ao Leonardo Leite, que topou essa conversa super inspiradora com a Tailor!
Sobre o autor
Silvia Salles
Ex-gestora da Floco, agência de marketing da Tailor
Publicou artigos no blog da Tailor Executive Search quando era gestora da Floco, agência de marketing contratada pela Tailor.
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