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Segundo o IBGE, cerca de 25% da população brasileira, mais de 55 milhões de pessoas, tem 50 anos ou mais. Porém, conforme Móris Litvak da Maturi, não há nem 5% de pessoas com mais de 50 anos nas organizações. (VOCÊRH | março/2022)

A Deloitte realizou uma pesquisa em dezembro de 2021 que apurou, dentre outras constatações, que, dentre os alvos das políticas de D&I implantadas, a geracional é a 5ª prioridade (somente ¼ das empresas que citaram a D&I como prioridade estratégica), ficando à frente somente de “outras”.

Não são só os vieses de ver somente o jovem como mais ágil e inovador e os preconceitos como falta de energia e capacidade de aprender e lidar como tecnologia que dificultam a inserção de profissionais 50+ nas organizações. Há também a ausência de percepção de que esse público pode ser estratégico para a companhia, inclusive para atrair consumidores em um cenário de aumento de longevidade.

Segundo dados do Bank of America, "o brasileiro maduro movimenta cerca de 1,6 trilhão de reais por ano. E essa importância vai crescer, pressionando o mercado a criar soluções mais alinhadas à faixa etária”. E quem melhor que os 50+ para criar e adaptar produtos e serviços para seus pares?

O preconceito etário é estrutural. É uma crença que vem de um tempo em que as pessoas não viviam muito. Há um consenso entre os pesquisadores de que o preconceito etário é o mais universal e inconsciente de todos. Para se ter uma ideia, a expectativa de vida em 1970 era de 57 anos. Ou seja, naquela época, uma pessoa 50+ já estava aposentada. Hoje, com a expectativa sendo de mais de 75 anos, uma pessoa de 50 anos está em plena produtividade!

A experiência adquirida ao longo da vida pessoal e profissional traz repertório para gerar insights diversos e encontrar soluções inovadoras, boa capacidade para lidar com problemas e mudanças, jogo de cintura para encarar desafios, visão sistêmica, facilidade para identificar oportunidades e maior foco e efetividade no desempenho de tarefas e projetos.

Na Pepsico Brasil, o engajamento dos profissionais 50+ é 3 pontos percentuais maior que o resultado geral da empresa. Além disso, entre janeiro e novembro de 2021, essa faixa teve um turnover 38% menor que o quadro geral. Já em 2020, o absenteísmo dela foi 27% menor.

VOCÊRH | abril/2022


Vimos ações de algumas empresas, mas ainda estamos em fase embrionária e muito ligada a cargos operacionais, de vendas e atendimento ao cliente. É necessário o foco em cargos de liderança, aproveitando toda a experiência e qualificação.

Outra realidade é que cada vez mais profissionais recomeçam aos 50, mudam de carreira, estudam sobre novos assuntos, empreendem! Além do retorno financeiro, como seres humanos com necessidades, há primordialidade de sentimentos de realização, de pertencimento, de reconhecimento!


Esperamos ações de conscientização sobre os benefícios de ter equipe multigeracional, e trabalho de dissociação e eliminação de preconceitos ligados às crenças e vieses inconscientes sobre o envelhecimento. É preciso trabalhar os valores na Cultura organizacional através de ações como trocas entre gerações, campanhas, treinamento das lideranças e disseminação dessa cultura.

Dani Barcellos — Head de D&I na Tailor, que fez uma transição de carreira quando estava chegando aos 50 anos
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