Como headhunter noto que os profissionais, as organizações, as áreas de negócios estavam sempre atentas ao que era de mais moderno na gestão dos seus business, seja por meio de novas metodologias, processos, tecnologias ou até mesmo dos novos jargões corporativos.

Não conhecer essas tendências – ou, em alguns casos, os novos modismos – era um sinal que você estava ultrapassado. Foi neste contexto que surgiu a sigla FOMO, que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”.

Também percebia que o mundo em que vivíamos estava em constante transformação. O ambiente de negócios deixou, há muito tempo, de ser claro, onde benchmarkings solucionavam os gaps organizacionais, e se tornou complicado onde apenas os profissionais com conhecimentos especializados davam conta de resolver a situação.

Atualmente, buscamos em nossos inúmeros processos de executive search, profissionais que perceberam que navegam em mundo que flutua entre o complexo e o caótico, no qual as boas práticas não funcionam mais, pois são ferramentas estratégicas do passado sendo utilizadas para solucionar problemas do futuro.

Estes novos tempos exigem práticas emergentes e inéditas que são criadas a partir da observação, da investigação, de testes de cenários e hipóteses em escalas menores para posterior expansão. Ou seja, o jogo mudou há algum tempo, entretanto, alguns não conseguiram ler e entender estes sinais.

Com isso, muitos profissionais estão se tornando cringes (se você não sabe o significado desta palavra pode ser um sinal inicial).

O livro que lancei em 2020, “O acaso não existe”, trata da importância de autogerirmos nossas carreiras num mundo dinâmico e digital. Nele explicito que as empresas e os profissionais esperam muito para fazer movimentos em direção ao futuro. Na verdade, eles esperam o futuro arrombar as suas portas e aí já é tarde.

Foi a partir deste contexto que há anos estudo sobre futuro e inovação, e, recentemente, comecei a me especializar em cool hunting, que nada mais é do um conjunto de métodos e práticas que levantam e avaliam tendências.

Ou seja, fenômenos sociais e culturais com potencial de influenciar o comportamento das pessoas. São processos onde podemos “caçar” tendências, antecipando cenários futuros e tomando melhores decisões no presente.

A pandemia da Covid-19 e as variáveis nela contidas aguçaram-me ainda mais em relação à necessidade de antecipar e entender o futuro para encantar as pessoas e entregar soluções diferenciadas no presente.

E como tudo isso está relacionado com o dia a dia dos executivos?

Os executivos que se preocupam com o futuro têm que caminhar para sair do storytelling e viverem o storydoing – conectando-se com histórias contadas por meio de ações e não mais de palavras, antes trazidas pelo benchmarking.

Este movimento transforma as zonas de conhecimento e a forma como os profissionais e as áreas atuam. Nos deixando mais atentos, observadores, analíticos, criativos, como arquitetos de soluções criadas por nós mesmos, e menos “implementadores” de processos adaptados, oriundos apenas de boas práticas dos outros.

Isso nos força ampliar a nossa plataforma de conhecimento, deixando a posição de especialistas e nos tornando generalistas.

Esta nova jornada, que já está acontecendo, movimentará os executivos, tirando-os das posições de maioria tardia ou até retardatários, para as posições de inovadores ou primeiros adeptos.

Isso reposiciona o papel destes profissionais, fazendo com que as suas informações e análises, apoiem a tomada de decisão dos negócios, pois eles passar a “presentificar” o futuro, e, por isso, impactam diretamente serviços, produtos, marcas e o próprio processo de comunicação.

É um caminho sem volta. Ele traz uma série de ingredientes estratégicos que sustentam os pilares das organizações humanizadas, pois proporciona um maior entendimento e conexão de propósitos, orienta o melhor diálogo com stakeholders (parte interessadas), direciona a consciência dos líderes e sustenta a consolidação de culturas com forte dose de empatia (people centric).

Concluo este meu artigo com algumas costumeiras reflexões, e que estão diretamente conectadas com o título desta coluna – o mundo não gira, ele capota.

  1. Você já parou para pensar qual é o futuro da sua empresa, da sua área e da sua profissão?
  2. A sua carreira é a prova do futuro?
  3. Onde você quer navegar dento do gráfico da difusão da inovação?
  4. O que você poderia fazer para observar com mais profundidade o seu presente, para ler melhor o seu futuro que emerge?

Gustavo Mançanares Leme é sócio diretor da Tailor | Headhunter & Estrategista de RH. É Conselheiro de Administração, Advisory de Startups e Mentor de Carreiras. Tem grande experiência em processos de Identificação de Talentos, Transformação Cultural e Turnaround de Modelo de Negócios.

Confira o artigo no portal Money Times clicando aqui.

Compartilhe
Deixe seu comentário