Há mais de 20 anos atuo como profissional da área de capital humano, com a carreira dividida em duas partes, uma como executivo de RH e atualmente como headhunter e sócio da Tailor.

Quando fui executivo participei inúmeras vezes de estruturação de planos estratégicos, projetos de Go to Marketing, M&As, revisão de modelos de negócio e uma série de processos de aceleração, ampliação e melhorias organizacionais. Acompanhei excelentes executiva(o)s apoiarem as suas empresas em maravilhosos projetos que impulsionaram movimentos de transformação, ressignificação, inovação, mudança e crescimento organizacional.

Mas também notei que a mesma energia, foco e prioridade depositada para o sucesso das empresas em que esta(e)s executiva(o)s trabalhavam não era, e em muitos casos não é, direcionado também na gestão das suas próprias carreiras.

Apesar de ter nas mentes e mãos inúmeras ferramentas de planejamento estratégico, a velha e conhecida frase novamente fazia sentido: “em casa de ferreiro, o espeto é de pau”.

Hoje como headhunter percebo por estar do outro lado da mesa, que gerir a própria carreira, imaginando que você é um produto que possui e gera valor, que deveria ser precificado, cujo branding tem que ser gerido, que desperta interesse para um determinado público e que está inserido em um mercado altamente competitivo, não é uma visão muito comum.

Poucos são a(o)s executiva(o)s que de fato possuem um planejamento estruturado das suas carreiras, tendo clareza de quais são os caminhos, projetos e organizações que querem ter dentro da sua trajetória profissional.

Acredito que todos nós deveríamos gerir a nossa própria plataforma de carreira, priorizando alguns pontos e reflexões:

1. O seu porquê

  • Qual o seu propósito profissional e pessoal?

2. As suas buscas

  • Quais razões o levaram a desempenhar a sua profissão?
  • Quais legados irá deixar ao longo da sua carreira?
  • Quais são suas metas aspiracionais em curto, médio e longo prazo?
  • Como estas metas serão conquistadas: ampliação das conexões, participação em projetos, conquista de
    novo(s) cargo(s), mudança de empresas, de comportamento e de segmentos, ampliação de conhecimentos, alcance de resultados específicos, impacto na sociedade ou apoio de pessoas?

3. A sua marca

  • Como as suas buscas e porquês estão sendo comunicadas?
  • Que experiências você está gerando nos diferentes públicos envolvidos nas suas metas e conquistas? De qual forma: racional ou emocional?
  • Como a sua marca está posicionada nas diferentes redes sociais?
  • Ela é consistente e coerente com seus porquês e buscas?

4. Novas Aquisições

  • Quais novidades irá ou deve incluir na sua carreira, sejam elas experiências, conhecimentos, networking e seguidores?

5. Ativação

  • Que indicadores você terá para monitorar o alcance dos seus objetivos?

6. Proposta de valor

  • Qual a promessa de valor que você entrega aos outros – líderes, pares, time, empregadores, consumidores e clientes
  • Quais são os seus benefícios e diferenciais?

7. Referência

  • Quais profissionais da sua rede reconhecem o seu propósito e proposta de valor, a ponto de te indicar para projetos, empresas e pessoas?

8. Receita

  • Como você rentabiliza a sua proposta de valor junto àqueles a quem você tem a possibilidade de atender?

9. Público-alvo

  • Você está atingimento o seu público-alvo? – Líderes, pares, time, empregador, parceiros ou clientes.

10. Mercado

  • Quanto vale a cadeira que você ocupa ou quer ocupar no mercado?
  • Que diferenciais possui?
  • Como estão a sua empregabilidade, conhecimentos, atualização, aderência aos novos comportamentos – em relação aos seus concorrentes?
  • As suas referências profissionais estão bem posicionadas?

11. Retenção

  • Como fazer com que a sua rede de contatos seja inteligentemente ativada para referenciá-lo e circular a sua marca empregadora, ampliando ainda mais o seu mercado de trabalho?

Em virtude dos pontos acima destacados, não tenho dúvida que os profissionais de sucesso autogerem as suas carreiras e a transformam em uma grande plataforma, pois acreditam que também são um produto que merece muita atenção e planejamento.

Gustavo Mançanares Leme é Sócio Diretor da Tailor | Headhunter & Estrategista de RH. É Conselheiro de Administração, Advisory de Startups e Mentor de Carreiras. Tem grande experiência em processos de Identificação de Talentos, Transformação Cultural e Turnaround de Modelo de Negócios.

Link para o artigo de Gustano no Money Times.

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